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Numa reflexão sobre a atividade política da qual tenho sido atento observador, nas quatro últimas décadas, é forçoso render-se às palavras pessimistas do poeta latino Horácio: "Vitae summa brevis spem nos vetat incohare longam" ("A breve duração da vida não nos permite alimentar longas esperanças").

Sim, sempre tenho alimentado pequenas, médias e até bem longas esperanças de que o drama - já até tornado enfadonho - da população nordestina deste Brasil sem porteira, há de ter um fim, sobretudo pelas enormes potencialidades econômicas da região, aliadas à enorme capacidade de superação da gente forte ("O sertanejo é, antes de tudo, um forte", nas palavras de Euclides da Cunha - Os Sertões - parte II) que a habita. E por que até agora o Nordeste não deslanchou? Muitos são os fatores políticos, econômicos e sociológicos, na base dessa questão.

Ficando apenas no primeiro aspecto, registre-se que muita gente tem dito, nestes últimos tempos, que os nordestinos votam mal, elegem pessimamente os seus representantes. Aliás, recentemente, logo após a divulgação da vitória eleitoral de Dilma Rousseff, em 2014, houve um acirramento de ânimos de eleitores paulistas contra os nordestinos, a exemplo do que ocorrera já na eleição de 2010: "Já matou afogado um nordestino hoje?" Perguntaram, nas redes sociais, alguns centro-sulista mais afoitos, ademais das invectiva do jornalista conservador Diogo Mainardi, comentarista da GloboNews que deu declarações preconceituosas contra nordestinos no programa Manhattan Connection, chamando-se de “bovinos” e outras coisas mais, em face da vitória esmagadora e decisiva da Dilma Rousseff nos Estados nordestinos.

Bem, na vitória de dona Dilma Rousseff, em 2014 como em 2010, tem preponderância o tempero nordestino e não apenas pelo fato de ser o seu padrinho - o presidente Lula - um nordestino, mas, pela decisiva votação que recebeu na região que contrabalançou as derrotas em Estados populosos, como é o caso de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Dilma ganhou em todos os (nove) Estados nordestinos, mesmo naqueles em que a oposição fez o governador (Pernambuco), obtendo na região uma média de quase 70% dos votos válidos. No Sudeste, Dilma ganhou apenas no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, perdendo em todos os Estados sulistas e do Centro-Oeste.

Esses resultados simetricamente opostos, açularam os sentimentos racistas de muitos sulistas, inclusive o desejo de cada um "afogar" o seu nordestino para fazê-lo purgar pelo "pecado" de ter votado para a reeleição da presidente Dilma Rousseff, embora não tenham levado em conta aqueles energúmenos que nos Estados do Sul e Centro-Oeste, onde perdeu para Serra (em 2010) e para Aécio Neves (em 2014), a candidata petista obteve teve votações expressiva, perdendo por pequenas margens nessas regiões. Daí que sua vitória, nos percentuais obtidos, na região Nordeste, foi inegável diferencial em seu favor.

Todavia, neste momento em que a presidente eleita Dilma Rousseff começa a montar o sua equipe de ministros, uma coisa soa estranho, a exemplo do que ocorrera em 2010:

A maioria dos ministérios importantes ficou nas mãos de paulistas, até mesmo para reafirmar aquela frase de autor desconhecido de que "o exército que combate e vence quase sempre não é o que ocupa".

Está ai mais um drama nordestino: o Nordeste elegeu Dilma, porém é São Paulo que vai ocupar o "filé" do ministério. Está escrito nas estrelas: poucos Estados nordestinos emplacarão ministros em pasta relevante no governo Dilma. Para o Nordeste, ao que parece, estão destinados os ossos, sobretudo, aqueles bem duros de roer da Esplanada dos Ministérios. É por estas e outras que minhas esperanças, no poder de transformação da política a cada dia encurtam mais e mais.

Valha-nos, Padim Ciço Romão do Juazeiro, santo conhecedor desses meandros, atalho e arapucas da politiquice nacional!!

* Paulo Linhares é Doutor em Direito Constitucional, Advogado Militante. Articulista do site/portal www.novoeleitoral.com.

Este artigo é de responsabilidade exclusiva de seu autor, não representando, necessariamente, a opinião dos editores do site/portal www.novoeleitoral.com

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