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No mundo da política algo não pode ser mais danoso que as posturas sectárias e quase sempre traduzidas em ações extremadas que subtraem o uso da razão e do bom-senso.

Em linguagem mais compreensível, o sectarismo denota um exagerado apego a determinado ponto de vista ou visão do mundo, em que têm presentes a intolerância e a intransigência, que impossibilitam a aceitação das diferenças, das opiniões divergentes do outro, sempre a partir de um inflexível e determinado apego ao ideário ou à doutrina professada, nos campos filosófico, religioso, politico ou artístico. Em suma, os sectários sempre estão dispostos a tocar fogo num enorme castelo para matar uma reles barata, embora quase sempre nem imaginem que, historicamente, são eles a praga das civilizações e não necessariamente esses animaiszinhos sujos e malcheirosos.

Contrariamente do que aparenta, a referência aqui não seria direcionada àqueles “meninos” malvados do Estado Islâmico (cuja sigla é, estranhamente, ISIS…), mas, àquela parcela das elites brasileira que, derrotadas nas urnas do pleito presidencial de 2014, tudo têm feito para que seja realizado um terceiro turno dessa eleição. Compondo esse contingente, a nata dos grandes conglomerados de comunicação brasileiros tem imposto ao governo Dilma um interminável e rigoroso fogo de barragem cujo objetivo não é apenas construir uma mortalha de impopularidade capaz de agasalhar a própria presidenta, o ex-presidente Lula - cujos números que aparecem nas primeiras sondagens acerca da preferência do eleitorado lhe dão enormes vantagens com vistas à corrida presidencial de 2018 – e o partido de ambos, o PT. A verdade é que têm logrado êxito o linguajar cada vez mais agressivo utilizado por veículos midiáticos contra os petistas e alguns dos seus aliados, pois, no momento atual, os índices de popularidade de Dilma e do seu governo já ultrapassam perigosamente os setenta por cento de opiniões desfavoráveis.

A derrocada política do governo Dilma, como não poderia ser diferente, impôs severos efeitos colaterais traduzidos no agravamento da crise econômica que, decerto como supunha a oposição, retroalimentaria a crise política até o (perigoso) limite de uma ruptura institucional, se preciso fosse, embora a proposta básica seria apear Dilma da presidência da República através de mecanismos incrustados na própria Constituição, como é o caso do impedimento (impeachment) previsto nos seus arts. 85 e 86.

A obstinação dos antagonistas do sistema de poder que ora comanda o governo federal é tamanho que até um mirabolante “plano B” foi montado: se a montanha de pedidos de impeachment protocolizados na Câmara dos Deputados resultar em nada, o mandato de Dilma poderá ser solapado mediante uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral. Aliás, com o beneplácito da sociedade, a Justiça Eleitoral, surfando nas ondas do ativismo judicial, tornou-se useira e vezeira no desrespeito à soberania popular desconstituindo, por quaisquer reles motivos, mandatos legitimamente outorgados a agentes políticos brasileiros, para cargos executivos e parlamentares. Tudo já “testado e aprovado”, somente falta acionar o gatilho processual.

Aliás, para tanto, a despeito de terem sido aprovadas as contas de campanha de Dilma por essa Corte judiciária, um processo foi exumado com o fito da realização de uma tomada de contas especial ao argumento de que a campanha da atual presidente (e de seu vice, Michel Temer) teria recebido dinheiro desviado da Petrobrás. A dificuldade dessa “fórmula” é que o vice-presidente Temer também escorregaria na mesma enxurrada lamacenta. Ora, o PMDB e o próprio Temer, seu presidente, embora na fruição das benesses do governo Dilma (o PMDB detém 7 ministérios importantes, além da vice-presidência da República e das presidências das duas Casas do Congresso), sutilmente se mostram com alternativa confiável ao governo petista. Estranho é que – pasmem! – as penas de aluguel de alguns juristas tem trabalhado rápido na construção de uma tese mirabolante: com uma tomada de contas da candidatura de Michel Temer em separado, uma decisão desfavorável contra Dilma não o atingiria. Ora, Temer foi eleito com os mesmos votos dados a Dilma, o que faz com que sejam partícipes do mesmo destino; não há como separá-los, embora neste país, onde até boi voa, tudo seja lastimavelmente possível. Assim, como professava o popular Duíte, toca pra frente.

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* Paulo Linhares é Doutor em Direito Constitucional, Advogado Militante. Articulista do site/portal www.novoeleitoral.com.

Este artigo é de responsabilidade exclusiva de seu autor, não representando, necessariamente, a opinião dos editores do site/portal www.novoeleitoral.com

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