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Quem nunca ouviu de seus avós, frases como “é raposa tomando conta do galinheiro” ou “o lobo tomando conta de ovelhas”?

Expressões tão simples e que guardam tanta sabedoria, como tantas outras coisas que recebemos dos mais antigos e que nos servem de alerta para que sejamos prudentes e sábios em nossas escolhas, sobretudo quanto a pessoas que são escolhidas para guardar o que temos de mais precioso, como nossos bens e patrimônio, ou mesmo, nossos filhos e pais.

Pois bem! Não são poucos os casos em nossa sociedade, em que colocamos nossos bens, e dentre eles, nossos filhos e pais – nossa maior riqueza – para serem cuidados por espancadores e ladrões, ou ainda pior, pedófilos, estupradores e assassinos que recebem de nós não apenas o salário, mas a nossa autoridade, a eles delegada para que nos representem naquilo para o qual foram escolhidos, os quais, abusam da confiança depositada cometendo crimes que nos chocam quando são descobertos.

É certo que hoje em dia, cada vez mais temos pesquisado, investigado, observado, colocado câmeras e afins para proteger nossas conquistas e nossos filhos, bem assim, o seu futuro. Contudo, tal comportamento passa longe quando falamos da escolha de nossos representantes políticos e da fiscalização de suas atividades. A verdade é que não participamos da vida politica de nosso país e o pior, temos entregue o destino de nossa nação como galinhas na mão de verdadeiras raposas para que estas as guardem e viramos as costas como que as consequências dos atos por eles perpetrados não fossem de nossa responsabilidade ou interesse.

Exemplos dessa peculiar característica brasileira sempre tivemos, sobretudo nesses anos pós-constituição de 1988 onde o sistema adotado – Presidencialismo de Coalizão – não só garantiu às raposas a guarda do galinheiro como também permitiu a sistematização do loteamento de hortas por coelhos “ligados” politicamente àquelas raposas.

Tal cenário não é novidade, contudo, é na esteira do maior escândalo de corrupção do país que esta realidade nos é jogada às fuças quando diariamente somos surpreendidos por novas revelações, bombardeados com notícias do envolvimento de Autoridades – e instituições – politicas envolvidas em toda sorte de corrupção, entre elas, a mais nociva para nossa jovem democracia que é a corrupção eleitoral através do Abuso de Poder Politico e Econômico, este último através do Caixa Dois de campanha, quando não, por meio de doações oficiais que na verdade eram pagamentos antecipados para garantir contratos com a Administração Pública e que se aconchegavam no manto da legalidade através da prestação de contas eleitorais que, data máxima vênia, na imensa maioria das vezes só se atem às formalidades sequer se aprofundando na análise comparativa das informações prestadas pelo candidato, partido ou coligação com a realidade de preços praticados pelo mercado entre outros pontos em que a verificação das contas deveria se concentrar e que não o faz tornando em último caso, ineficaz o controle das contas.

O mais surpreendente – não tão surpreendente assim – é o fato de que estão sendo investigados ocupantes de cargos centrais tanto no poder Executivo quanto no Legislativo. O caso mais recente foi o do Presidente da Câmara dos Deputados, Dep. Eduardo Cunha (PMDB-RJ), citado na Lava Jato pelo dono da UTC, Júlio Camargo, o qual disse que o terceiro na linha sucessória da Presidência da República foi o destinatário de cinco milhões de reais. Todavia, esse fato não é coisa isolada, pois outras ações correm contra o Presidente da Câmara no Supremo Tribunal Federal, bem assim, pelo menos três inquéritos (2123, 2984 e 3056) para apurar possíveis crimes cometidos pelo Deputado na época em que era Presidente da Companhia de Habitação de Estado do Rio de Janeiro – CEHAB-RJ entre 1999 e 2000.

Outro citado na Operação é o Presidente do Senado Federal, Sen. Renan Calheiros (PMDB-AL). Segundo Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Renan recebeu propina em contratos da Diretoria de Abastecimento e que, na prática, os pagamentos a ele “furaram” o teto de 3% estabelecido como limite dos repasses a políticos.

Mas essa não é primeira suspeita de envolvimento ede Renan Calheiros em práticas criminosas. Há vários outros casos onde seu nome esteve envolvido no lado sujo da ficha. Alias, sua Excelência, o Presidente do Senado, já teve de renunciar ao cargo de Senador quando também era presidente daquela casa (2007), para fugir da cassação em face de uma série de escândalos nos quais foi acusado.

Entre as acusações figurava o uso de 'laranjas' para comprar um grupo de comunicação em Alagoas; comandar esquema de arrecadação em ministérios comandados pelo PMDB onde o seu ex-sogro, Luiz Carlos Garcia Coelho figurava como operador; o caso do banco BMG que teria sido beneficiado com a concessão de crédito consignado em troca do pagamento de propina; usar um assessor da presidência para espionar a vida dos senadores Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB), ambos eleitos pelo estado de Goias. Há também a acusação no “caso dos bois” (inquérito criminal 2593 do STF) no qual foi acusado de ter cometido peculato (desvio de dinheiro público ou bem público por funcionário público), falsidade ideológica e uso de documento falso.

Outro caso famoso é o da pensão que teria sido paga pela empreiteira Mendes Júnior, no valor de R$ 16,5 mil mensais à jornalista Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha. Coincidentemente, a empreiteira recebeu entre 2004 e 2006 a “micharia” de R$ 13,2 milhões em emendas parlamentares de Renan destinadas a uma obra feita pela empresa no porto de Maceió. sem falar nos casos da Farra das Passagens (2009); do Spa em Gramado (2013); do Avião da FAB (2003) e crime ambiental em Alagoas (inquérito 3589).

Como diria Renato Russo, estamos vendo apenas “mais do mesmo”.

Que dizer de outros tantos Deputados e Senadores que estão sendo investigados, que já foram condenados, que renunciaram para escapar de cassações e voltaram a ocupar cargos? Para evitar de nos estendermos muito, digamos apenas que não são dois ou três e que estes não estão na periferia do poder. Muitos ocupam – ou ocuparam – cargos nas mesas das Casas Legislativas e/ou nas mesas de comissões importantes nas respectivas casas.

Agora, será que paramos por aqui?

De modo algum. O loteamento da administração direta e indireta tem gerado perdas insondáveis aos cofres públicos e disto a Operação Lava Jato tem nos dado ainda mais certeza. Só na Petrobras o rombo, na mais otimista das projeções do MPF, gira em torno dos seis bilhões, e é somente uma das investigações. Alias, vale ressaltar que também foram citados os senhores Ministros de Estado Aloizio Mercadante, da Casa Civil, e Edinho Silva, da Secretaria da Comunicação Social, ambos do chamado núcleo duro do Governo, muito próximos à Presidente da República, Dilma Rousseff, os quais foram também citados por Ricardo Pessoa.

Alias, consta que, quanto à Presidente, esta teria sido citada não menos que uma dezena de vezes por delatores do esquema de corrupção na Petrobras, mas, por falta de elementos mais contundentes que motivassem a abertura de um processo ou mesmo uma investigação criminal, ainda não houve seguimento de investigações.

Então agora acabou? Não! Não se engane amigo leitor, os tentáculos do monstro que até o leviatã de Hobbes devora de dentro para fora se estendem muito além do que imaginamos, só vemos fração de sua extensão e é isso que mais causa temor.

Para completar, esta semana tivemos mais uma denúncia, desta vez envolvendo o Tribunal de Contas da União. Segundo Ricardo pessoa em depoimento de delação premiada, teria pago R$ 1 milhão para o TCU (Tribunal de Contas de União) liberar a licitação da usina nuclear Angra III. Segundo afirma, após atendimento de seus interseres no TCU, um consórcio integrado pela UTC para fazer a montagem da usina atômica foi contratado. O custo total da obra, na qual atua também um outro consórcio, é de R$ 3,2 bilhões. O caso foi relatado pelo ministro Raimundo Carreiro.

Somado a isso, o delator ainda contou que desde 2012 obteve informações privilegiadas do TCU em julgamentos de contratos da UTC com a Petrobras. Segundo ele, as informações eram repassadas pelo advogado Tiago Cedraz, filho do ministro do Tribunal, Aroldo Cedraz, mediante o pagamento de R$ 50 mil por mês. Já não bastasse o fato de existir uma denúncia desta gravidade, ela ainda é agravada pelo fato do Ministro Aroldo Cedraz ser presidente do TCU e Raimundo Carreiro ser seu vice.

Ou seja, temos na moldura, os chefes de dois dos três Poderes e outros membros da cúpula destes, mais os chefes do TCU, principal órgão de controle contábil da Nação, citados no maior escândalo de corrupção de todos os tempos neste país, como beneficiados direta ou indiretamente, conhecedores, colaboradores, corruptores, corruptos passivos e/ou omissos. Peças de um mecanismo draconiano de perpetração de um modelo pro corrupção que mantem o Brasil de joelhos, drenando suas forças e escravizando seu povo na mediada em que lhe furta direito a uma educação de qualidade, uma saúde mais humana, segurança efetiva, moradia, enfim, dignidade.

Perceba que não estou a dizer que são culpados. Não estou. Contudo, a importância dos cargos que ocupam essas autoridades exige tamanha lisura. A ausência de alvura na ficha de tais autoridades públicas, para lembrarmos da Lei da Ficha Limpa que eu considero o maior avanço dos últimos vinte anos, pela importância dos cargos que ocupam, e a menção de um possível envolvimento em praticas tão atrozes politicamente, apoiadas por indícios já é – deveria ser pelo menos – motivo para serem afastados enquanto acontece as investigações.

Alias, em vários países, já seria a simples citação do nome em casos de corrupção por si só motivo para o afastamento do cargo até o fim das investigações, e, caso comprovado o envolvimento, a exclusão definitiva e ex nunc do condenado da politica nacional, isto porque não visa punir o criminoso, antes, proteger e moralizar a politica, as instituições republicanas e a própria democracia.

Aqui, todavia, Vivemos como galinhas “protegidas” por raposas que comem nossa carne aos poucos…

Aos poucos?

Mas não se engane meu amigo leitor, a fonte do problema não está na raposa mas nas galinhas. São elas que toleram e legitimam sua presença no galinheiro. Reconduzem vez após vez a raposa ao lugar de honra e esperam que ela mude as coisas, mas a verdade é que nunca nada muda se nós não mudarmos.

Esperamos a revolta das galinhas!

Samir Albuquerque É membro do Movimento Nacional Reforma Política Democrática e Eleições Limpas e colaborador do site/portal www.novoeleitoral.com

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