Enfim o Senado Federal escutou a voz do povo!

Sinceramente a emoção ontem me pegou ao ponto de sequer conseguir raciocinar sobre os demais pontos aprovados e rejeitados na reforma política que ainda não pode ser tida como tal, pois a vitória apesar de grande, foi parcial, já que os políticos que não estão ouvindo o povo, com certeza, ainda se movimentarão na parte constitucional e infraconstitucional para que esse esquema de financiamento criminoso continue dominando a política brasileira e logo após, numa comunhão de desígnios previamente estabelecido, assalte os cofres públicos brasileiros.

Refiro-me as possíveis manobras que poderão ser feitas para que essa prática continue no papel e ainda seja colocada na Constituição (VEJA ARTIGOA manobra do dono da bola na reforma política!)

Portanto, temos que ficar atentos ao desenrolar dos fatos nos dias que se seguem nesse mês de setembro, pois a reforma que não é reforma (VEJA ARTIGOA reforma que não reforma) para valer nas próximas eleições tem que estar aprovada um ano antes das eleições, logo ainda teremos desdobramentos dessa questão do financiamento empresarial de campanhas eleitorais.

Entretanto, uma coisa parece-nos que é certa: a tentativa espúria de se colocar um elemento totalmente estranho dentro de nossa Constituição Federal praticamente está fadada ao fracasso, pois ao barrar tal parte ontem na minirreforma infraconstitucional, o Senado rejeitou expressamente o pensamento. Digo isso com certeza, pois, se para se aprovar a PEC faz-se necessário que 49 senadores digam sim ao financiamento empresarial, vimos ontem que somente 31 deles votaram favorável à matéria.

Destarte, entendo que a derrota é questão de tempo e se isso de fato acontecer na volta do Projeto de Lei à Câmara dos Deputados, a famigerada PEC, nesse sentido, não poderá ir contra tal decisão, em que pese se registrar que o Senador Ronaldo Caiado, que vem se destacando na liderança substancial da oposição ter tentado uma manobra semelhante a que fora feito por Cunha e registrada acima, qual seja, ao final disse que a rejeição teria sido somente aos candidatos e não aos partidos, o que recebeu como pronta resposta do Senador Romero Jucá, relator da matéria, um sonoro não no sentido de que a rejeição tinha sido completa, ou seja, as empresas não poderão doar/investir nas campanhas eleitorais.

Com todo respeito, "Caiado" perdeu a oportunidade de ficar "calado"!!

Vejam meus amigos e amigas, esse financiamento é um mal tão grande para o nosso sistema político e eleitoral brasileiro que as pessoas que o defendem não se mostram em público e fingem que são contra quando na realidade nos bastidores lutam incansavelmente para permanência desse sistema de dominação do poder econômico sobre os mandatos, na qual o processo eleitoral é um negócio com lucros inimagináveis dentro do setor de mercado.

Desta forma, a rejeição total desse mal não é tarefa fácil e nesse exato momento não tenham dúvida que tanto no próprio Senado Federal quanto na Câmara dos Deputados há articulações em andamento, patrocinadas pelo setor empresarial que comanda a maior parte dos mandatos políticos, para que esse sistema não pereça.

Logo, a luta continua e a vitória, apesar de merecer a nossa comemoração, não pode de modo algum ser cantada como definitiva.

Fiquemos, portanto, vigilantes, e eu mesmo pessoalmente nessa luta estou dentro do MARCCO-RN (Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral) e MCCE ( Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral) empenhado. Ontem, por coincidência, foi aprovado por unanimidade que todos os MARCCOS e FOCOS do Brasil assinem uma nota conjunta contra o financiamento empresarial das campanhas eleitorais e apoie as 10 medidas contra a corrupção do MPF (VEJA OS ARTIGOS: MPF coleta assinaturas para projeto de lei anticorrupção e Novo Eleitoral apoia incondicionalmente campanha de combate à corrupção do MPF, bem como façam um trabalho de conversação direta com os Senadores de todos os Estados.

E vamos fazê-lo, além do que já foi feito ontem, tudo para que a proibição se mantenha, e, no máximo, somente os mesmos 31 senadores que já disseram sim ao famigerado financiamento, continuem com a aprovação. E, ainda, quem sabe, diminua esse número, pois o povo, verdadeiro detentor do poder, ainda pode pela pressão popular, fazer com que essa derrota seja maior ainda quando da votação da famigerada PEC, que como dito só passou por causa de uma manobra.

Mas não veremos mais manobras daqui pra frente, pois o povo está cansado de ser enganado!!

Continuemos firme nessa luta pela verdadeira democracia, pois esta não tem como ser concretizada enquanto o poder econômico for o verdadeiro detentor das vontades que acabam prevalecendo nas legislações e, por conseguinte, nas ações estatais como um todo.

Não ao financiamento empresarial de campanhas eleitorais é a voz sonora do povo brasileiro hoje e na qual os políticos terão que desta feita nos ouvir.

Viva ao povo brasileiro!

*HERVAL SAMPAIO JUNIOR é Mestre em Direito Constitucional, Juiz de Direito e Juiz Eleitoral no Estado do Rio Grande do Norte e escritor renomado nacionalmente, com obras publicadas em diversas áreas do direito, inclusive direito eleitoral

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