Não tenho a menor dúvida que serei criticado por publicizar a primeira entrevista que dei a um emissora na cidade de Mossoró, depois das conturbadas eleições de 2012, a qual resultou na cassação da então prefeita eleita em 12 oportunidades e já obteve a chancela do TSE em 10 delas, o que corrobora a nosso trabalho à época, muito questionado, chegando inclusive a imprensa ligada ao então grupo governista a dizer que eu poderia até perder meu cargo de juiz obtido com muito sacrifício e estudo por concurso público.

Vejam aonde chega os interesses não republicanos, um juiz ser punido por cumprir a Constituição Federal e as leis eleitorais com perda de cargo e isso foi publicizado à época justamente para desinformar a população e com isso descredibilizar o então trabalho da Justiça, que desde a nossa primeira cassação, durou dois anos e sete meses para receber a confirmação da mais alta Corte Eleitoral de nosso país.

Não podemos aceitar que se atinja a pessoa física dos juízes como meio de se assegurar a manutenção do poder pelo poder!

Em minha atividade judicante desempenhada há pouco mais de dezessete anos, nunca me preocupei que nossas decisões tenham de ser confirmadas, mas pelo que sofri emocionalmente de lá para cá, como os amigos e amigas sentirão ao ouvir nosso desabafo, a confirmação de nosso labor respalda o sentimento de dever cumprido, não com alegria de uma vitória, mas sim com a certeza de que vale a pena fazer valer na prática os comandos constitucionais que buscam impedir o abuso de poder nas eleições, mesmo sendo triste ver que tantos ilícitos eleitorais foram cometidos à época, talvez com a certeza que ficariam impunes.

Daí a necessidade de agora publicizarmos tudo isso além de nosso livro http://www.editorajuspodivm.com.br/produtos/jose-herval-sampaio-junior/abuso-do-poder-nas-eleicoes--..., pois a época em que publicamos o mesmo, a chancela tinha sido somente do TRE/RN, a qual inclusive não só reconheceu todos os abusos de poder e demais infrações, como reformou sentença de outros colegas que não tinham identificado tais condutas, ou seja, condenou originariamente a então prefeita em quatro feitos.

E para fechar o raciocínio antes de trazer a matéria de nosso site com o desabafo e citada entrevista, ressalto que a nossa esperança é de que esses exemplos possam servir de lição aos candidatos que ainda insistem em querer vencer o pleito a força como se diz, ou seja, a partir da compra de seu mandato, utilizando-se de todas as espécies de abuso de poder, mas principalmente a própria população que participa ativamente dessas infrações e até acha normal querer se dá bem individualmente no processo eleitoral, quando o ganho deveria ser social, com a eleição de políticos sérios comprometidos com a arte de servir ao povo, tão olvidada nesse momento difícil que atravessamos em nosso país.

Então que sirva de lição é a nossa esperança e quem sabem em 2016 teremos eleições menos corruptas em todos os sentidos.

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