Offcanvas Section

You can publish whatever you want in the Offcanvas Section. It can be any module or particle.

By default, the available module positions are offcanvas-a and offcanvas-b but you can add as many module positions as you want from the Layout Manager.

You can also add the hidden-phone module class suffix to your modules so they do not appear in the Offcanvas Section when the site is loaded on a mobile device.

Vendo a situação política e social porque passamos no Brasil, fiquei a pensar de esta atual e nefasta realidade implicar em uma crise de identidade, uma crise de identidade social e política do Brasil, e de nós, brasilianos.

Daí me debrucei um pouco sobre a história do Brasil para ver onde porventura se teria originado, qual a gênese dessa crise de identidade.

Então, fui pouco a pouco me entristecendo com o que conseguia entrever.

Primeiro, da dificuldade de se encontrar uma identidade dos brasilianos, um prisma com o qual os brasilianos se identificassem nessa condição, de nacionais, de filhos de uma terra chamada Brasil.

Segundo, de, se um elemento identificador único houvesse,  encontrar o apego dos brasilianos com essa identidade, e com a sua pátria, o amor cívico pela pátria, pela Nação Brasileira, não aquele de ocasião, fugidio e rápido que vem em copas do mundo e outras ocasiões desse tipo, e vai embora do mesmo modo que veio, fútil e passageiro.

Terceiro porque, se encontrados a identidade dos brasilianos e o amor cívico pela Pátria Brasil, onde descobrir a crise daquela, ver onde estaria a crise de identidade.

Consultada a História do Brasil, o que observei é que esta só é contada a partir do pretenso descobrimento, a partir do período Cabralino.

É como se o lugar nunca tivesse existido antes; é como se todos os povos que habitavam este vasto território fossem nada – nada mesmo, os povos que aqui habitavam, e o espaço territorial.

Depois, o lodaçal humano com que veio se constituindo e construindo o povo brasileiro, para se chegar aos dias de hoje, para se chegar ao que somos hoje como povo brasileiro, nascido já com um erro de sufixo, pois, deveríamos ser pela condição de nacionais do Brasil -brasilianos, e não brasileiros.

O Brasil, no período de Colônia Portuguesa era um palco de exploração total e absoluta pela matriz – Portugal, que daqui sugava todas as riquezas naturais até o limite máximo possível de se poder explorar. E, no âmbito local, era palco de todas as falcatruas e tramoias, indo além do imaginável.

Nunca se pensou, ou se pareceu pensar, na construção de uma Nação, de um País, ainda que um país colônia de outro.

Havia uma mistura de tudo de ruim que pudesse haver.

Portugueses que corrompiam a si próprios e a todos que pudessem corromper, que destruíam quem não estava no esquema.

Negros e índios que eram coisa, mercadoria usada para o trabalho, e que valiam menos que muares e bois.

O povo era sem importância alguma, O que seria desse povo era ainda mais sem importância.

Só eram lembrados mesmo na hora de saber-se como usá-los, e como mais ainda explorá-los e, em caso de qualquer insubordinação, quais os meios mais rígidos e adequados para se colocar as coisas nos eixos – diga-se, quais os meios mais rápidos, céleres e violentos de punição.

E brancos pobres que não eram considerados como coisa, mas, valiam quase nada mais que índios e negros.

Cada qual na sua região, sem uma laço de identidade nacional, senão a subserviência a Portugal.

Depois, na fase de Reino Unido de Portugal e Algarves, com a vinda da família real para o Brasil, a qual fugiu de sua terra natal abandonando o povo português, as falcatruas, tramoias e corrupção só cresceram de volume. O cortejo à corte, e as disputas internas pelas frações de poder só aumentaram.

Daí a família real volta para Portugal, deixa no Brasil um príncipe regente e este príncipe, atendendo a reclamos da elite da época, proclama a independência do Brasil.

Passamos a ser um império.

Mas, nas questões sociais e políticas nada mudou.

Continuou a imperar a falcatrua e a corrupção, com o descaso ao povo, com nada sendo feito para a existência de um povo brasiliano visto por quem detinha o poder na condição de um povo a ser respeitado, pelo qual deveria haver políticas públicas e sociais de crescimento, de identidade, de pessoas de uma nação que como tal deveria se portar.

Nada, eram só tramoias, falcatruas e corrupção.

A sociedade ia se construindo assim.

Os que tinham poder e nele estavam, fazendo de tudo para ali permanecer.

E os que não tinham sonhavam lá chegar, não para modificar o quadro existente, mas, para fazer parte do quadro e manter tudo igual.

Findo o império, veio a república, com o presidencialismo.

Palavras e sonhos bonitos,  e a continuidade das mesmas falcatruas, tramoias e corrupção, com o mesmo descaso para com o povo, o mesmo descaso para com a construção de uma sociedade.

A mesma ausência de valores nobres, de sentimentos éticos e morais.

O mesmo desejo de quem estava no poder de ali permanecer, de ficar no poder pelo poder, usando de todos os artifícios, ardis e manobras.

Viemos nessa república com estágios falsa liberdade, e de reais ditaduras, culminando na malfada revolução e golpe militar de 1964, que se sustentou até 1988.

Era um estado de exceção, com limitações impostas à força, à ponta da baioneta e ao tiro do fuzil.

Mas, exceção alguma houve para as tramoias, a falcatrua e a corrupção; estas se fizeram presentes também durante o período do governo militar.

Do mesmo modo, também não houve exceção ao descaso para com o povo.

Tudo ficou igual; povo banalizado, ausência de políticas públicas  e sociais da construção de uma sociedade que se fizesse forte e com visão de futuro.

A educação era pífia, assim como o desenvolvimento profissional, técnico e científico.

Os valores nobres inteiramente corrompidos.

E ainda como dantes, buscava-se o poder apenas e tão somente pelo poder, usando de todos os artifícios e tramoias para ali ficar – inclusive a baioneta e o fuzil.

Em 1988 finda-se o golpe militar, vem um governo civil restabelecido, e uma maravilhosa Constituição Federal.

Depois, eleições livres e gerais para todas as esferas de governo. Chegara a tão sonhada democracia.

Chegará o Estado Democrático de Direito.

Que inefável e benfazeja mudança.

Mas, aliado a isso, uma tristeza.

A corrupção, as tramoias e falcatruas, e a ânsia de quem se pôs no poder para li ficar, e ficar tão somente pelo poder, pouco se lixando para a pátria, para a nação, e para o povo brasileiro, para os brasilianos, permaneceu do mesmo jeito e maneira de antes, se não, acentuou-se, até chegar ao patamar vivenciado hoje.

Nos dias de hoje é um lodaçal que parece não ter fim. É um mar de falcatruas. É uma miríade de corruptos, de corruptores e corrompidos.

É um universal sucateamento e desvio de recursos públicos, indo para os bolsos de gestores públicos e pessoas físicas e jurídicas do setor privado, muito inteligentes, pois, conseguem descobrir e fazer manobras tais, que chegamos ao absurdo de não ficar surpreendidos com o descalabro.

E com dó do Brasil, com dó do povo brasiliano, acabei me dando conta que essa situação não espelha uma crise de nossa identidade política e social, mas, infelizmente, retrata fio a fio a identidade política e social que veio e vem sendo tecida, desde aquele pseudo descobrimento, desde o início mal contado da história do Brasil.