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Marta Suplicy deixou o PT em abril deste ano, partido no qual desenvolveu toda a sua carreira política, alegando que o partido estaria traindo os próprios princípios, e que o PT estaria sendo protagonista "de um dos maiores escândalos de corrupção que a nação brasileira já experimentou", e asseverou que as práticas ilegais permaneceram mesmo após a condenação de altos dirigentes do partido.

A senadora, em sua comunicação de desfiliação ao PT afirmou, em claras letras, que "os princípios e o programa partidário do PT nunca foram tão renegados pela própria agremiação, de forma reiterada e persistente" e ainda, que "o PT se distanciou completamente dos fundamentos que há 35 anos nos levaram a construí-lo com entusiasmo e envolvimento".

Veja a íntegra da carta de desfiliação de Marta Suplicy aqui: Leia a íntegra da carta em que Marta Suplicy pede para sair do PT.

Conclui a comunicação enfatizando que a ela, "eleita legitimamente por mais de 8 milhões de votos, resta(-me) a certeza de que a (minha) prioridade é a fidelidade ao mandato que (me) foi outorgado pelo povo do Estado de São Paulo".

Sábias e verdadeiras palavras, sem dúvidas, que mereceram o aplauso de todos aqueles que veem o PT como um partido que foi construído por homens e mulheres de bem, que acreditaram em um projeto honesto e correto de política e de País, mas que hoje assemelha-se a qualquer um dos outros partidos que existem no Brasil.

Ocorre que Marta Suplicy filiou-se ao PMDB, em ato realizado no último sábado (26/09), com a participação de todos os grandes figurões do Partido, dentre eles, Michel Temer (Vice-Presidente e Presidente da República em exercício), Renan Calheiros (Presidente do Senado), Eduardo Cunha (Presidente da Câmara dos Deputados), Eduardo Paes (Prefeito do Rio de Janeiro), além de senadores e deputados do PMDB (G1: Em evento em São Paulo, Marta Suplicy se filia ao PMDB)

Abandonar o barco sem rumo do PT e embarcar na nau incerta do PMDB, demonstra uma incoerência sem tamanho por parte da Senadora, senão vejamos:

a) o PMDB é o principal partido de sustentação da Presidente Dilma no Congresso Nacional, talvez mais do que o próprio PT, que se afoga em divergências internas quanto à política econômica, a reforma ministerial, o aumento de impostos e os reajustes dos trabalhadores, além do próprio descontentamento com o envolvimento de representantes do PT nas denúncias de corrupção relatadas na Operação Lava Jato e outras dela decorrentes.

b) membros do PMDB, inclusive os dois presidentes das casas legislativas federais, foram mencionados nas delações da operação lavajato, além de ter o partido indicado alguns dos vários ex-diretores que hoje se encontram presos provisoriamente ou mesmo já condenados.

Ora, se Marta deixa o PT, partido ao qual fora filiada por mais de trinta anos, por causa da mudança de rumos do partido em relação aos seus princípios e programa, não seria mais adequado filiar-se a um partido que tivesse princípios e programa parecidos com o PT original? Se assim for, certamente o PMDB não seria esse partido.

E se a ideia é fugir das explicações que tenha que dar, eventualmente, sobre a participação de membros de seu partido em denúncias de corrupção que são investigadas na Operação Lava Jato, da mesma forma Marta não se livrou de tal incômodo. Ao contrário, agora terá que explicar muito mais, pois deixou uma legenda pela qual se elegeu, para ingressar em outra, de mesmo lado, que é a principal viga de apoio do governo, do qual ela alega estar em dissonância, mais ainda ela terá que se justificar.

Enfim, mudanças como a que a Senadora realizou, sempre pode ser caracterizada como uma das duas opções: ingenuidade ou oportunismo. Dessa forma, só nos resta analisar qual dos dois perfis se encaixa mais na formação cultural, política, social e acadêmica da Senadora.

E que os eleitores de São Paulo a julguem!

*** Márcio Oliveira é especialista em direito eleitoral, professor de direito eleitoral em cursos de graduação e pós graduação lato sensu. Um dos editores do site/portal www.novoeleitoral.com.

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