Depois de meu último texto sobre a patente desinformação e guerra de informações desencontradas que deixam a população brasileira chocada com tamanho descontrole de suas autoridades e logo após a demissão do ex- Ministro da Saúde, o Presidente da República resolve partir para o ataque contra o Presidente da Câmara dos Deputados.

Leia meu artigo anterior aqui: Desinformação e informação desencontrada, o melhor é agir por precaução! Precisamos de uniformidade...

A grande pergunta que se coloca é: no meio de uma pandemia, dá para aceitar como razoável uma situação dessa?

Eu já havia decidido que não escreveria mais nenhum texto sobre temas ligados à condução política e dos políticos durante essa pandemia e vou até explicar o motivo.

É que, infelizmente, nosso vírus é ideológico, como deixei claro NESSE PODCAST. Fui apedrejado tanto por um lado quanto pelo outro após a publicação de meus textos, o que demonstra que a questão, infelizmente, partiu para outra esfera. Ou melhor, creio que sempre foi pura politicagem como deixei claro no meu primeiro texto.

Dessa forma, pretendo em mais uma irresignação deixar de lado a polêmica questão da demissão de Mandetta, até mesmo porque esta revolveria os três textos que já escrevi onde deixo minha posição bem explícita e sedimentada, não tendo como ser diferente, esperando que o novo Ministro encontre o equilíbrio necessário entre o salvamento de vidas e a proteção da economia.

Entretanto, o que me assusta é a forma açodada com que o Presidente Bolsonaro parte para cima do Presidente da Câmara Rodrigo Maia, mais uma vez, em meio à crise sanitária gerada pela pandemia, tensionando ainda mais tudo que estamos vivendo no momento, quando é cediço que o Governo Federal claramente precisa do apoio da Câmara dos Deputados para que os projetos de enfrentamento à crise, em especial no lado econômico possam seguir adiante.

Daí, alguns defensores radicais do Presidente podem dizer que isso faz parte de seu estilo ou de uma tática para acuar o Presidente Maia quanto à sua jogada de defesa irrestrita dos Governadores, em especial os de São Paulo e do Rio de Janeiro, contudo, faço o devido contraponto, dizendo que para mim nada justifica, no meio de uma crise como a atual, mais um destempero desse, pois o correto seria a temperança.

Se o Presidente tem razão em suas postulações, que o faça da forma correta, simples assim!

Ao longo dos últimos anos, tenho ao mesmo tempo continuando firme e coerente com minhas posições, contudo, buscado sempre o devido equilíbrio na forma de colocação de tais pontos de vista e sei que não é fácil, pois sou daqueles considerado de “pavio curto” como se diz, mas a postura dos cargos ocupados nos impõe a devida liturgia, peculiaridade que o Presidente nunca percebeu, o que tem trazido problemas de ordem interna e externa.

No mérito propriamente dito, até vislumbro plausibilidade nas preocupações do Presidente Bolsonaro, primeiro porque o impacto econômico do auxílio emergencial aos Estados necessariamente será absorvido pelo Governo Federal, o que deve ser colocado ao crivo do Ministério da Economia e seu Ministro Paulo Guedes, o qual realmente deve ter o necessário protagonismo na questão.

Segundo, porque tem que se aferir em concreto o efetivo prejuízo a nível de perda do FPE e FPM em cada Estado e Município, logo, o tratamento sem tais particularidades, supostamente favorecendo alguns Estados e Municípios em meio à uma pandemia, é realmente preocupante.

Agora, mesmo com tais aspectos, se utilizar de uma rede de TV para de forma escancarada partir para agressões contra o chefe de outro Poder, não é de fácil aceitação e, sinceramente, eu mesmo tenho severas dificuldades em aceitar.

Enfim, que o episódio de ontem, não coloque mais lenha na fogueira e o clima não fique mais acirrado ainda, ao ponto do povo brasileiro “pagar o pato”, em especial os mais pobres, pois todos os auxílios que o Governo Federal tem feito são providenciais e precisam chegar à sociedade o mais rápido possível, logo que tudo fique nesse triste incidente tão somente e os Poderes se entendam com as coisas se normalizando o mais rápido possível, pois vou repetir sempre, não precisamos sofrer nada além da pandemia!

José Herval Sampaio Júnior
Cidadão indignado com grau de desinformação técnica e uniformidade de tratamento da pandemia no Brasil e agora com a guerra explícita de farpas entre chefe de Poderes